quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Como fazer um Craquele Perfeito

Você sabe como fazer craquelê?
 
Encontrei este texto na internet e achei interessante divulgar.



 Dicas   da artesã Tania Mara




A técnica de craquele tem origem francesa e é responsável pelo efeito de rachaduras em peças de madeira, cerâmica, vidros etc. E até efeitos em unhas como utilizamos ultimamente na moda feminina.
Existem diferentes tipos de produtos para fazer craquelar, dentre eles estão: Kit Craquele, tinta craquele, verniz craquele, cola branca, entre outros. Cada um se trabalha de uma maneira, mas todos têm o efeito de rachado. 
Alguns precisam de verniz por cima para dar acabamento, outros não precisam de nada, pois já tem o acabamento brilhante. A maioria desses produtos são solúveis em água, ótimo, pois não tem cheiro forte.
Eles podem ser aplicados com pinceis ou espojas, depende do efeito desejado. Alguns podemos acelerar a secagem outros devemos aguardar a secagem sozinha para um melhor resultado. 
O ato de “craquelar” significa que a tinta reage em cima de uma superfície extremamente brilhante. Com a secagem do mesmo ela encolhe, dando as rachaduras e o efeito de craquele. 
 
Antes de iniciar o seu trabalho é importante avaliar a peça que está à sua frente. Se for uma peça grande ela poderá receber um craquelê graúdo. Do contrário, se for pequena, o craco deverá ser compatível com o tamanho desta tal peça.

O que vai definir o tamanho do craco é a quantidade de verniz que será aplicada. Se você quer um craco graúdo, a camada de verniz deverá ser grossa. Para uma craco miúdo é só diminuir a quantidade de verniz. Este é o pulo do gato, seja para qualquer técnica a ser utilizada.

Devemos sempre lembrar que para realçar os cracos há a necessidade de se utilizar duas cores de tintas, uma contrastante com a outra, nesta sequência;
Ex: cor de fundo branco, verniz e cor contrastante preto.

Pois bem, vamos lá.
 
TÉCNICA Nº1:

O craquelê pode ser aplicado em diversas superfícies. Neste caso usei uma garrafa de licor, que ao invés de jogá-la no lixo transformei-a em uma peça decorativa para a estante da minha sala. Adoro utilizar materiais recicláveis, a ideia de atribuir àquele produto uma utilidade diferente daquela para a qual foi criada me encanta e encanta a todos que conhecem meu trabalho. Sem querer fazer trocadilhos esta peça literalmente ficou um luxo com o lixo, concordam?






Material:      
Primer
Tinta PVA palha
Papel para decoupage
Kit Craquelê incolor
Pasta decorativa dourada
Cola para decoupage

A embalagem contém um Verniz Base e um Verniz Craquelador.

Aplicação:
Pintar a peça aplicando duas camadas de Primer e duas camadas de tinta preferencialmente com cor clara, pois, será a base do nosso trabalho.
Escolha o papel e faça a decoupage.
Depois de bem seco, passar duas camadas de verniz base aguardando secagem entre uma demão e outra. Eu costumo inverter o sentido das pinceladas, se na primeira demão eu pintei no sentido vertical, na segunda demão eu passarei o pincel no sentido horizontal. O verniz base pode ser aplicado com pinceladas (como se estivesse pintando com a tinta) bem como sua secagem pode ser acelerada com um secador de cabelo ou um soprador.
Agora vem a parte mais esperada do trabalho, aquela em que passaremos o verniz craquelador. Com um pincel macio vá depositando o verniz em sentidos variados. Uma camada somente, porém, bem generosa. Aguarde secagem que deverá obrigatoriamente ser natural, longe do sol ou do vento para não aparecer bolhas e em local bem plano para que o verniz não escorra somente para um lado. Aos poucos você verá os cracos surgindo.
Para finalizar devemos passar uma pasta para realçar os cracos.  Eu utilizei a pasta metálica ouro velho Goldfix da Corfix (veja foto em destaque). Para melhor aplicação dilua a pasta conforme indicação do fabricante e aplique com um pincel, pano macio ou até mesmo com o dedo.

O acabamento dele já é brilhante, portanto não precisa passar nenhum impermeabilizante por cima.


Para tirar o excesso de pasta que fica na superfície, com um pano macio, passe querosene ou cera em pasta incolor.
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TÉCNICA Nº 2:

Neste trabalho pensei em fazer com que o craquelê ficasse por baixo da decoupagem fazendo as ranhuras aparecerem através do guardanapo. E assim o fiz.




Material:
Primer
Tinta PVA Chocolate
Verniz Craquelê
Tinta PVA branca
Guardanapo para decoupage
Cola para decoupage
Verniz fosco




 
 
Aplicação:
Pintar a peça com duas camadas de primer, duas camadas da cor escura.

Aplicar o verniz craquelê com pinceladas em X, apenas uma camada. Lembre-se, se quer um craco graúdo ......ou, se quer um craco miúdo.......

Antes que o verniz  seque por completo,passar a cor contrastante. Com um pincel de cerdas macias, vá depositando a tinta com apenas uma camada e preferencialmente sem sobrepor as pinceladas. 

Quase que imediatamente a peça começa a craquelar. E aí é só finalizar com a decoupage e o verniz.
  

TÉCNICA Nº 3: 

Craquelê com cola branca (tenaz, cascorez ou qualquer outra cola branca)
Isto mesmo, cola branca e nada mais e olhem só que  resultado maravilhoso.





Material:
Tinta PVA cereja
Cola branca
Tinta PVA marfin
Papel para decoupage
Verniz brilhante

  

Aplicação:
A cola neste caso fará o papel do verniz craquelador e sua aplicação segue basicamente ao deste produto.

Nesta caixa usei a cor cereja da  Gato Preto como fundo. Deixe secar bem.

Depois, cubra a tampa com uma camada bem generosa de cola branca de maneira que você não consiga ver a tinta da caixa (eu usei esta cola da figura, mas acredito que dê certo com qualquer cola branca).

Antes que a cola seque por completo, escolha uma cor contrastante (escolhi a cor marfin) e vá depositando a tinta com o pincel delicadamente, pois, a cola ainda está úmida. Você saberá a hora de passar a tinta quando a cor base da caixa ( cereja) começar a aparecer. Aqui o pulo do gato é o seguinte: se você aplicar a tinta em cima da cola enquanto ela ainda estiver totalmente branca o craco ficará enorme e assim não fica bonito. Quanto mais a cola estiver molhada, mais ela puxará a tinta e os veios do craco ficarão muito largos. Então deixe que a cola começe a ficar transparente para poder aplicar a tinta.

Em poucos minutos o craco começará a abrir. Como a cola demora secar é possível acelerar o processo, mas cuidado, deve ser com ar frio, eu costumo deixar em frente ao ventilador numa distância de pelo menos um metro e meio da peça. A secagem completa se dará quando a cola estiver completamente transparente.

Esta técnica dá um efeito muito bonito. A cola depois de seca deixa o fundo com bastante brilho e a tinta por cima fica fosca. Nesta caixa eu acabei perdendo este efeito porque a tinta contrastante que utilizei foi PVA e portanto eu tive que impermeabilizar. Optei por passar verniz brilhante e a caixa toda ficou brilhante. Deixo como sugestão usar uma tinta acrílica fosca por cima, assim não será necessário impermeabilizar a peça e você garantirá o efeito do brilho, contrastando com o fosco que fica maravilhoso.


 TÉCNICA Nº 4:



Caquelê com tinta Craquelex. Olhem que graça.
Este produto é bastante versátil. Percebam que o formato dos cracos da tampa são diferentes dos cracos da caixa. Este efeito você consegue somente mudando a aplicação da tinta.  Na tampa usei a tinta Craquelex Cinza Lunar e com o pincel (ou uma bucha grossa) fui aplicando batidinhas na tinta. Já na caixa usei a cor Vermelho Carmin e com o pincel fui dando pequenas pinceladas em forma de X. Camadas generosas de tinta.




Material:
Tinta branca para base
Verniz Vitral incolor ou Base para Tinta Craquelex
Tinta Craquelex Vermelho Carmin
Tinta Craquelex Cinza Lunar
Verniz brilhante




Aplicação:

O fabricante recomenda usar a Base para tinta Craquelex (figura acima), porém, ela é totalmente dispensável. Você vai dizer: Mas como?????
Lembra do texto acima? A tinta reage em cima de uma superfície extremamente brilhante. Com a secagem do mesmo ela encolhe, dando as rachaduras e o efeito de craquelê.

Nesta caixa eu substitui a base indicada pelo verniz vitral incolor e funcionou perfeitamente.
Então, seguindo a lógica não há necessidade de sairmos comprando produtos desnecessariamente, acredito que se no lugar do verniz vitral eu tivesse usado verniz craquelê, também teria conseguido o mesmo resultado.
Se o fabricante quer vender, nós queremos economizar não é mesmo? Devemos pensar assim, vou usar o que eu tenho em casa.

A tinta craquelex deve ser grossa o suficiente para que você não veja o fundo que nesse caso é a cor branca.

Aqui é possível a secagem com ar quente. Depois de passar a tinta craquelex use o secador ou um soprador com ar quente e verá o craco abrir instantâneamente.

Para finalizar, impermeabilize com verniz brilhante.



 TÉCNICA Nº 5:

Este craquelê também fica muito bonito e a vantagem deste material é a sua praticidade.

Craquele com camada generosa de verniz



Craquele com camada fina de verniz






Material: 
Tinta PVA branca para base
Kit Craquelê colorido

 A embalagem contém um Verniz Base e um Verniz Craquelador.
  


Aplicação:
Segue a mesma sequência de aplicação, cor de tinta que se quer que apareça em baixo, verniz base e verniz craquelador, porém, neste caso você não precisa aplicar outra tinta,o verniz craquelador já é a cor contrastante. 

Para um craquele bonito, passe uma demão de verniz base no sentido vertical, deixe secar completamente e na segunda demão passe as pinceladas no sentido horizontal. Com a peça bem sequinha você entra com o verniz craquelador e com o pincel você irá depositar o verniz com uma camada bem generosa e com movimentos em forma de X, para que os cracos se formem em todas as direções. O fabricante deste produto orienta que se use pincéis diferentes para cada verniz, mas, é só lavar  e secar bem direitinho que não tem problema nenhum.

Assim como o Kit incolor, o acabamento dele já é brilhante, portanto não precisa passar nenhum impermeabilizante por cima.

Este produto dá a possibilidade de usar as tintas de duas formas, ambas com efeito muito bonito:
Cores contrastantes: Ex: tinta PVA branca como base e verniz craquelador vermelho
Tom sobre tom: Ex: tinta PVA amarela e verniz craquelador laranja


Mais uma dica para o uso de Kit craquele colorido.

Este enfeite de árvore de Natal é feita de bola de isopor nº 7. Passei 3 camadas de tinta acrílica decorativa metálica ouro da decorfix, duas camadas de verniz base e duas camadas de verniz craquelador. 

Você deve estar pensando, "mas não pode passar duas camadas de verniz craquelador..." pode sim, é só não deixar o verniz secar. Passe a primeira camada fina de verniz craquelador e aguarde alguns minutos até que ele fique um pouco mais consistente a ponto de não escorrer e logo em seguida aplique a segunda camada.

Se a bola for menor, aconselho deixar com uma camada só de verniz craquelador senão os cracos ficarão muito graúdos para uma bola pequena. São detalhes que fazem toda a diferença.


 
X  -  X  -  X  -  X

Com essas dicas tenho certeza que você conseguirá realizar seus trabalhos com sucesso. Comece com uma peça pequena enquanto você se familiariza com as técnicas e com os diferentes materiais. Depois ouse e experimente peças diferentes como as que expus aqui, além destas você poderá trabalhar também em PET, Caixa de leite, cerâmica, metal, gesso e até em isopor lembrando sempre que, se a peça não for madeira deverá receber os primeiros cuidados com o primer.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Arte e Artesanato Conceito e Diferenciação



Se a arte e o artesanato possuem um local específico dentro da sociedade, desempenhando cada um o seu papel, é importante introduzir neste trabalho a noção de centro / periferia para uma melhor compreensão do objeto aqui em estudo e de seus significados.
O centro pode ser definido como aquele pólo - geográfico, político ou econômico - que tem o poder de determinar ações, adoção de tecnologias, conceitos e/ou ideologias (que determinam formas de pensamento) por todo um território que esteja sobre seu domínio ou controle.
O conceito de periferia pode ser verificado, como o oposto de centro, como um local que engloba um espaço com sua população - e suas atividades sociais e econômicas - que estão afastados ou dominados (politicamente, economicamente, tecnologicamente e/ou ideologicamente) pelos pólos econômicos regionais, nacionais e/ou mundiais.

A partir daí aponta-se a questão do local em que a arte e artesanato são realizados (enquanto obra), em que são comercializados, em que são consumidos, em que são estudados, em que são analisados. A arte e o artesanato são antes de tudo o trabalho de pessoas que, com finalidades diversas, realizam algo.
Não se pode mais, dentro do contexto do Brasil e da América Latina relacionar o artesanato apenas às áreas distantes dos grandes centros urbanos. Com a migração das populações, e a mudança de atividades dentro das áreas urbanas, a atividade do artesanato é hoje realizada não só nas periferias dos grandes centros mas também dentro de sua própria área urbana. Dentro de contexto contemporâneo - não apenas por ter deslocado o seu lugar de realização - o artesanato já incorporou elementos de outras culturas, verificando-se características que estão além de sua matriz original.
Se o conceito de arte, na época atual, é produzido e consumido dentro dos grandes centros, o mesmo corre o risco de reduzir-se apenas a eles mesmos (enquanto centros), ignorando o fato de que o artesanato - enquanto obra e qualquer que seja ele - é fruto do trabalho de pessoas que o consideram sua arte pois é fruto de sua produção, de seu conhecimento próprio e de sua cultura. Observa-se que esta colocação é apontada tendo em vista dois grupos sociais distintos - artistas e artesãos - com características, produções e conceitos também distintos.
Na atualidade, as relações de trabalho podem ser verificadas e analisadas na produção artística, a partir do momento em que, dentro da realização de um trabalho, a mesma envolver mais de um indivíduo em sua produção. 
Por exemplo, poderá haver aquele indivíduo que, detendo o conhecimento e os meios da produção de seu fazer, trabalha com seus ajudantes - ou seus auxiliares - que tendo, ou não, o mesmo conhecimento que o detentor dos meios de produção - estarão ali recebendo por seu trabalho executado. Situação similar poderá ser analisada junto àqueles indivíduos que, sem a posse dos meios de produção, estarão ali trabalhando com alguém que detém estes meios - aprendendo determinado ofício (com remuneração ou não) - verificando-se, deste modo, uma outra forma de relação de trabalho.

Por fim, apresentar os conceitos de arte e artesanato, dentro de um contexto sociológico, não é tarefa das mais fáceis. Tal tarefa surge aqui como um conflito, mas todo conflito se torna inevitável e é sempre útil na medida em que define questões.
O que realmente são? Os mesmos se opõe? Quais as suas finalidades ou as suas especificidades? Onde são produzidos? Seus espaços? Seus públicos? 
A quem se destinam? Em que contexto devem ser inseridos? Talvez a formulação destas perguntas possam até mesmo ser uma das respostas para o presente trabalho

Definir arte na atualidade é, antes de tudo, retomando o conceito de Duchamp, apontá-la como um espaço apropriado para a produção visual do século XX.

A forma como é apresentada e/ou consumida determina um local definido para compreender também a sociedade e a forma de sua organização.
Sobre o artesanato, que utiliza-se de matrizes que transformam-se com o decorrer da modernidade, não pode-se dizer que possui menor criatividade que a arte. O mesmo, produzido por determinados grupos coletivos, ou indivíduos isolados dentro do tecido urbano, relaciona-se diretamente a um sentido prático do que e para que é feito - função determinada quando são produzidos - que pode ser, por seu usuário (público), posteriormente modificada.


Nos dias atuais, se dentro de uma sociedade urbana, o local de consumo da arte e do artesanato pode ser definido por galerias, museus, mercados ou feiras, a definição e diferenciação do que é culto ou popular deve passar por uma avaliação mais criteriosa dada a circulação de informações dentro de uma sociedade inteiramente massificada definindo formas de expressão - na arte e no artesanato - que se nutrem de uma mesma base.



Deve-se ressaltar também que se arte e o artesanato realizam-se enquanto produção, ou atividade produtiva de determinado elemento cultural, os mesmos devem ser observados como fenômenos sócio-culturais distintos dadas as suas especificidades, apesar do visível paralelismo que se desenvolvem na atualidade.